Caminhos

Caminhos
Porque não pode haver outra forma senão a de existir tal como somos...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016


Mural concluído

Finalmente, após alguns dias, entremeados de chuva e sol, o artista Violant terminou o seu mural na casa em ruínas que serviu de abrigo a uns casais de nómadas que por ali passaram.
Vejam como ficou bonito!






































quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


Violant

Esta semana foi positiva.
Conheci pessoalmente Violant (João Maurício, o jovem artista da vila de Riachos).
E porquê? Porque está a pintar um mural, abaixo fotografado, mas ainda incompleto, numa casa "abandonada" ao lado do prédio onde vivo. Tal como mostram as fotos, não resisti à tentação :)
Já tinha publicado o seu mural "Insomnia", que volto a publicar aqui, para que se recordem.
Em baixo coloco ainda um excerto da entrevista que deu ao Ctrl+Alt+RUA.
Violant é licenciado em Artes Plásticas e Multimédia e concluiu já o mestrado.





























«Violant acabou por defender sua tese – item necessário para concluir o mestrado – nas fábricas abandonadas e na companhia dos tais extensores, que começou a usar no verão de 2012, quando ainda estava no primeiro ano de Caldas, e que acabou por lhe apresentar sua nova “paixão”: a grande escala, na qual em pouco tempo já era mestre. “Esse período de fábricas abandonadas foi muito importante. Por serem locais mais reservados, acabou por facilitar essa iniciação, já que não havia inibição ou qualquer falta de confiança por ter que enfrentar o público. Ainda mais para um gajo introvertido. Nem toda gente é extrovertida e gosta de aparecer ou de mostrar o que está a fazer, entende?”, questionou o artista, que, mesmo atualmente, com excelentes obras no currículo, prefere evitar qualquer tipo de conversa no momento do trabalho. “Costumo a colocar os ‘phones’ no ouvido e entrar no meu mundo. Não gosto de ser interrompido com elogios e nem com criticas, até para não embaralhar o andamento da pintura. Os comentários, quase sempre genuínos e espontâneos, ficam para depois, mas sempre faço questão de ouvir e considerar esse retorno”, completou.»



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Mais pássaros

o cetim foi rasgado pelo tempo
e na manhã que não devia ter nascido
os pássaros desiludidos gritaram
assustados pelo deus fingido
que caiu do pedestal
desmascarado
sem brilho e sem sorriso
não desejes entrar no meu poema
antes o que és assim ainda o nada
o mistério por descobrir

e o passo por inventar

GA


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016


Quando os Pássaros Partirem

quando os pássaros partirem
abre as asas
ergue os olhos para a imensidão do azul
e inventa as cores dos pássaros no céu


GA












domingo, 17 de janeiro de 2016

A Amiga


Toda a gente sabe que ter amigos é das melhores coisas deste mundo.
Não sei se todos têm algum amigo ou amiga especial. Eu tenho. Uma amiga. E tenho sorte, porque é daquelas pessoas únicas para as quais este mundo de defeitos não foi feito. Sabem porquê? É sempre sincera neste mundo de hipocrisia e eu acho que os maus não merecem a nossa sinceridade. Pensa muito bem antes de pensar mal de alguém. Ela prefere não acreditar nos defeitos, desculpando quem os possui. Tem valores extraordinários e por isso é valiosa. Parece alheia, mas é muito atenta, perspicaz e analítica.
Eu sei que não tenho o direito de a desvendar assim, mas como ela acha que não é nada assim como eu digo, então eu posso dizer, porque é como se não estivesse a falar dela.
Um dia, quando ainda não nos conhecíamos bem, eu estava tristíssima e, para não ser vista por ninguém, refugiei-me no carro. Casualmente, ela estacionou ao meu lado e viu as minhas lágrimas. Acenei-lhe discretamente. Penso que o meu gesto falou, porque ela percebeu que eu queria estar sozinha e retirou-se respeitosamente. Mais tarde, no local de trabalho, veio ter comigo e estendeu-me um chocolate quente. Sem perguntas nem comentários, atitude inédita em locais de trabalho, num mundo facebokiano, de reality shows e casas de segredos, em que toda a gente quer bisbilhotar a vida de toda a gente.
Decidi selar a nossa amizade a partir desse instante.
Os meus amigos têm de ser assim, com um brilho aconchegante, como o sol nos dias de inverno.

Esta é dessas. Anda por aqui nesta casa chamada blogosfera. Tem duas gatas e um gatarrão. A casa dela é um museu. No seu blogue cultivo-me e na sua presença sinto-me feliz. Desculpa, Ana, por este texto pequeno não conseguir ilustrar o tamanho enorme do que és e do quanto representas para mim. És tudo isto e muito mais!

GA












A Ana e eu

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016


Insomnia







No seguimento de uma publicação de João Menéres, cá vai um grafitti  pintado por baixo de um viaduto da minha cidade - Coimbra. O viaduto situa-se entre a rotunda da Quinta da Romeira e a do Alto de S. João. O jovem que pintou esta belíssima obra é português, usa o "pseudónimo" de Violant e foi notícia de 1ª página no Diário de Coimbra  do dia 18 de Outubro de 2015.
Achei extraordinário e quis ver ao vivo. Fui ao local fotografar, mas preferi publicar a foto que se encontra na cronologia do autor na sua página do facebook. Melhor que as minhas palavras é o texto de Richard Tassard, publicado numa revista francesa, sobre Violant, considerando o trabalho do artista pintura a sério e comparando-o a Van Gogh. Diz, neste texto que o artista não segue as regras e os códigos da arte de rua. Tal como li no DC, este jovem tem aspirações elevadas. Espero que lute para as cumprir!
Se me é permitida uma interpretação muito pessoal, uma imagem que ilustra bem os dragões existentes na nossa sociedade e no nosso mundo (catástrofes, guerra, pobreza, egoísmo, ganância, corrupção, crime económico,...) e que nos impedem de ter sonos tranquilos...


Violant, debout à l'extrême droite de la photographie, donne l'échelle de sa fresque. Est-ce encore une fresque ou un mur peint? La définition est, en fait, de peu d'importance. La profonde originalité de Violant est de peindre ce qu'il a envie de peindre sans se soucier des canons et des codes du street art. À se demander si ses œuvres sont des fresques de street art. Peu importe. Dans "Insomnie", Violant peint une scène intime : une femme ne dort pas. elle est seule dans une chambre et est assaillie par un monstre qui prend la forme d'un dragon qui la menace ou essaie de la pénétrer. Le décor évoque une chambre d'adulte mais un ours en peluche est au bas du lit. Une mère donc ne dort pas et, dans cette chambre ordinaire, un monstre extraordinaire tente de l'envahir. La scène de l'insomnie qui pourrait être une scène banale devient une scène d'épouvante.

Les œuvres de Violant révèlent ses joies et ses angoisses, ses espoirs et ses peurs. Elles sont bien loin du "faire beau" de certains street artists. Il ne décore pas, il peint. Comme Van Gogh, comme un peintre de chevalet, parce que peindre lui est nécessaire pour vivre.
(Texte Richard Tassart)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016


Regresso

Esvazio-me de mim
Para me encher dos outros
E as vozes que escuto e sinto
São passos cansados de esperar
Na imensidão do sonho
Repercutem-se os sons
Nos meus ouvidos
Demoram-se os olhares aflitos
Fatigam-se as vozes
[...]
E eu dispo-me dos outros

Para me vestir de mim





















Eduard Munch - O Grito

sábado, 2 de janeiro de 2016



era bom que o Amor se vendesse
nas farmácias
excipientes e princípios ativos combinados
em cápsulas redondas e brilhantes
cor-de-rosa ou vermelho
tanto dava
tomava cada um a sua dose necessária
e era o equilíbrio
sem raivas nem rancores
quem morresse por excesso de dosagem
morreria por sua conta e risco
(farmacêutico e médico ilibados)
de febre ou de cansaço
mas não de desamor



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

JANELAS

Hoje ao passar por uma rua pacata da minha cidade, detive-me nesta janela. Gosto de janelas, que tal como as portas, são passagens para o exterior, para o mundo. É por dentro da minha janela e para lá da minha janela que escrevo e me inspiro. À janela esperamos ver, com o nosso olhar indiscreto, os interiores das casas, quando não há cortinas que resguardam dos olhares; vasos com flores, de preferência sardinheiras de cores fortes; velhinhas a apanhar sol e a observar quem passa; e gatos, claro! Esta janela deteve-me, não porque deveria ser de madeira, mas por ter dois gatos, porque gosto de gatos. Ambos amarelos, coincidência que tornou o quadro mais bonito de admirar. Bati no vidro, para captar os olhos do mais molengão e vislumbrei um ligeiro abanar da cortina. Alguém me terá visto e não se mostrou, mas também não me interceptou na indiscrição da foto. Imaginei uma velhinha bonacheirona e bondosa, a viver sozinha na companhia dos dois gatos que lhe alimentam a solidão da velhice, com a ausência de palavras amargas de ingratidão ou cansaço. Imaginei a velhinha sentindo-se prestável para os dois animais, alimentando-os com ternura e mimo. Uma senhora passou na rua, observou a minha atitude e logo encetámos uma conversa curta sobre gatos. A senhora seguiu o seu caminho e cruzou-se com um gato cinzento, sem dono possivelmente, a julgar pela aparência, que mansamente sentado nos olhava. Na rua não estava mais ninguém. Segui também o meu caminho, de alma cheia por um momento tão insignificante, mas tão rico, para mim, de conteúdo. 


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NATAL

a ilusão cresce nas montras
presa nas bolas coloridas das árvores
abundam e brilham corações e estrelas
misturam-se figuras cristãs e pagãs
e há um fio que nos prende
e nos deixa suspensos entre a terra e o céu
e nos leva os nervos
para a terra passageira dos sonhos
natal dos ímpios e dos impuros
que lavam a cara no mar do lucro
Jesus morreu
mas os sinos repicam
os anjos embebedam-se
de verde vermelho e dourado
de fitas e laços
e cantam
glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens de boa vontade
as mãos estendidas dos pedintes
sorriem de esperança
ao dia da sopa quente a chegar