Homenagem às gentes do meu bairro
Bairro
Gosto do meu bairro onde vivem
as mesmas pessoas há décadas
e transportam consigo o rosto dos
tempos,
as rugas do que aconteceu com elas
e comigo e com todos.
O
meu bairro que tem ecos de silêncio
o meu bairro que não é meu, que é dele
e do outro e de ninguém.
O meu bairro vulgar onde nada acontece
onde só por vezes alguém deixa de
existir
sem deixar de ser.
O meu bairro onde não cabe
o acontecimento de uma reportagem
e que por isso mesmo é bonito.
O meu bairro é velho, é pobre, é mundano,
é banal, vulgar,
mas tem marcas da nossa identidade
de sermos nós por dentro e por fora
de cabermos inteiros num “bom-dia!”
acompanhado de um sorriso redondo.
Comungo esta partilha e esta magia
com os outros
enquanto caminhamos diariamente
para o futuro envelhecendo sabiamente.
GA










