sábado, 26 de novembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Não te detenhas.
Não olhes para trás. Há muitos companheiros de viagem ainda à tua espera. Precisam
de ti sentados nas clareiras com fogo e danças de roda, sorrisos e palmas. Falta
muito para o fim do caminho. Aprende com as pedras que te ferem os pés e com as
silvas que te rasgam a carne, mas não te detenhas. Caminhar em frente é a cura
das feridas. O mal também te constrói e purifica. Erras. Levanta-te. Só serás
completo se aprenderes. Continua o teu trilho e observa os caminhantes que se
cruzam momentaneamente contigo. Todos te trazem lições. Absorve-as e lá ao
fundo serás pleno e inteiro e terás sabedoria, quando fores recebido na
clareira com sorrisos, palmas e cantares à volta da fogueira.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Desfilam bailarinas
e saltimbancos apetrechados de arsenais coloridos. Dramatizam loucamente em
danças vertiginosas e perfeitas. Ostentam beleza e sorrisos esplendorosos. As máscaras
estão gastas e os números repetidos, mas experimentam incessantemente novos
arremedos para divertimento dos espectadores. Soam palmas. Os mais críticos
queixam-se e gritam da plateia que é preciso deixar fermentar a verdade, banir
a hipocrisia, a vaidade e a falsa ostentação.
No palco, todos
estão surdos.
sábado, 1 de outubro de 2016
Viemos para
quase tudo.
No topo de
qualquer montanha há sempre ainda outra mais longínqua onde se adivinham
horizontes de nós, sombras fugidias que já nos pertenciam mesmo antes de
nascermos.
O sol continua à
nossa espera lento e corcovado, arrastando-se a olhar os velhos sabedores nos
bancos de jardim.
Bastardos de uma
penumbra qualquer, estamos para cuidar das árvores e deixar os ninhos
amadurecer nos beirais das casas.
Tateamos todas
as infinitudes para saciar a fome, a sede e o desejo.
Ansiamos escarpas
nas montanhas que nos agasalhem do frio, do medo, do tremor e da pressa.
Viemos para o
regresso de nós mesmos.
domingo, 4 de setembro de 2016
embarco
novamente nas trincheiras da guerra
de tantos sorrisos beligerantes
de armas em punho
o sol habitado de medo
esbate-se por entre o fumo dos
bombardeamentos
minando monstruosamente
a inútil cautela das tropas
as ofensivas militares
provocam frio no estômago
rebentam por toda a parte
granadas de violência e ódio
os brados precipitam-se nas nuvens
e desmoronam-se contra o chão
a vida presa por um fio
sem tréguas nem oásis
a luta diária é um arco-íris
uma miragem
a baloiçar entre o céu e a terra
domingo, 7 de agosto de 2016
esgota-se o tempo
pelos beirais das casas
a albergar ternuras insuspeitas
chega a manhã
e despes as asas
pesam-te os ombros
cansados dos incontáveis sonhos
náufragos nas mãos da noite
espraias-te por lugares
habitados de vazio
refugiado em cada amanhecer
tens lágrimas nas mãos
e brilho nos olhos
de inventar paraísos
pesam-te os dias
numa estrada longa
em que não encontras o sentido
cais
não és frágil
és só um deus
a tentar não ser
GA
quinta-feira, 7 de julho de 2016
há em mim um inimigo
por nascer
e em ti uma arma por içar
há flechas doces a sair dos meus olhos
alvoradas indistintas no teu sorriso
e paisagens feéricas no calor da tua voz
temos armas embainhadas por dentro do sangue
e flores irreais à superfície da pele
por entre estes beijos ousados
falta saber quem somos
GA
Edição 2016 das Pastinhas da Casa de Infância Dr. Elysio de Moura, onde se incluem alguns dos meus poemas inéditos.
A foto de Coimbra foi tirada hoje de manhã da varanda da Casa da Infância de onde se vê a outra margem de Coimbra, uma vista soberba!
Apontamento histórico:
(texto retirado do site da Universidade de Coimbra, Notícias UC)
"A Venda das Pastas é uma tradição com mais de 70 anos que acontece sempre durante a Queima das Fitas, com o objetivo de ajudar a Casa de Infância Doutor Elysio de Moura. Ao longo do ano, as crianças da Casa de Infância preparam réplicas em miniatura das pastas dos estudantes. Reproduzidas com as cores das faculdades da Universidade de Coimbra, as “pastinhas” guardam poesia.
O uso da pasta surge no seguimento de uma outra tradição. Quem o afirma é o presidente da Casa de Infância Doutor Elysio de Moura. Manuel Ferro conta que “a Queima das Fitas vai entroncar na tradição da queima da sebenta há cento e tal ano atrás”. A sebenta, que era queimada no final do curso, era muitas vezes guardada “em pastas atadas com fitas”, conta o responsável. “É daí que surgem as fitas das pastas de hoje”, revela. Ao longo do tempo, as fitas tornaram-se um “símbolo da vida académica” e, de acordo com Manuel Ferro, “a questão de se escolher a pastinha foi precisamente por causa do valor simbólico que a pasta tem para a vida académica”.
A iniciativa é, atualmente, uma forma de angariar verbas, que vão direcionadas para as salas de lazer da Casa de Infância Doutor Elysio de Moura".
Reportagem realizada por Ana Zayara, estudante de Jornalismo na FLUC, e Rosana Vaz, estagiária Projeto Imagem, Media e Comunicação da Universidade de Coimbra.
terça-feira, 28 de junho de 2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Ao eu – II
Acordo
de mim estranha em cada dia
Com
o meu ser à minha frente, eu atrás
Quando
o apanho ele foge em correria
E
esconde-se, volátil e sagaz.
À
vinda vem despido de alegria
Quer
mãe, mas o meu colo é incapaz.
Aquilo
que buscava não havia
E
o que queria encontrar não traz.
Que
procura o meu ser que em mim não tem?
Desolada
pergunto e ele nada diz.
Refeito
da ilusão, da vã demanda
Já
novamente se vai, não se detém
E
eu temo a sua queda de aprendiz
Impotente, só ele me comanda.
Graça Alves, in Cores do Silêncio
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