Caminhos

Caminhos
Porque não pode haver outra forma senão a de existir tal como somos...

domingo, 15 de janeiro de 2017



Tenho andado ausente. Não prometo ser mais regular por estas paragens. 

Quero dedicar o meu primeiro post de 2017 a todos vocês que passam por aqui. Quero agradecer-vos os minutos de atenção, as palavras amigas, os vossos posts agradáveis que servem para refletir, aprender, ou simplesmente repousar os ouvidos ou o olhar. 
Feliz 2017 para todos! E, apesar das neblinas ou das sombras, cada vez mais é urgente...


Ser como as árvores persistente e estender os ramos para o céu ao ritmo do vento. Alongar o tronco e abraçar a infinitude. Esticar as raízes em busca de mais terra. Acreditar sempre na melodia das folhas que renascem e agradecer às que caem, pois cumpriram o fim para que nasceram. Olhar o céu. Aprender com os pássaros. Não desistir. Não vergar ao cansaço. Teimar. Perdurar. Ser resistente.







































P.S.: As fotos são sempre as que vou tirando nas minhas deambulações pelo espaço...
Beijos
Obrigado!


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016



É tempo de comer todos os frutos, mesmo a maçã proibida de Adão. O pecado é um pó inócuo e purificador impresso na pele, um castelo de areia a desfazer-se em permanente luta contra as falésias do devir. Há febre a latejar no teu corpo dormente (estátua de pedra a gemer lamúrias secretas) em cada minuto adiado e já é tarde em cada instante que passa.
Nunca sabemos de que lado espreita a madrugada para anunciar de repente a partida. Chronos não dorme e jamais se compadecerá das nossas hesitações.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016


Ciclo Coimbra T(em) Poesia 

Foi no passado Sábado, dia 26 de Novembro. Fui convidada pelo meu amigo João Rasteiro para participar no evento "Coimbra T(em) Poesia", na Casa da Escrita em Coimbra e aqui fica o que disse, para quem quiser ter a paciência de ler.
"Agradeço a todos os presentes por terem vindo e agradeço também ao João por me ter convidado. Após o convite do João, duas questões se me colocaram. Por que razão fui convidada pelo João, na qualidade de poeta, se sou essencialmente professora e se ainda só publiquei um livro de poesia? Esta questão leva a outra questão. O que é um poeta? Um poeta será aquele que publica muitos livros de poesia? Será o que, apesar de publicar pouco, publica boa poesia? E poder-se-á falar de boa/má poesia ou de bons/maus versos? Poderá ser ainda um poeta aquele que escreve versos, mas apenas para a gaveta? 
Como tinha estas dúvidas todas, resolvi ir ao dicionário (uma das minhas bíblias) ver o que nos diz sobre a palavra poeta. E o que nos diz é o seguinte: "poeta - adj. que faz poemas ou versos. n.masc. 1. autor de poesia; vate; versejador. 2. autor cuja obra tem características poéticas. 3. aquele que tem inspiração ou imaginação inspirada. 4. idealista, sonhador; 5. indivíduo bem falante, eloquente. 
poeta de água doce - poeta que faz maus versos."
Então seremos todos poetas? 
E eu? Serei poeta?
Se me perguntarem o que sou responderei sem qualquer hesitação "sou professora", porque é o que faço a maior parte do tempo, enquanto não estou a dormir, mas também sou outras coisas. Sou mãe de duas filhas adolescentes, com todo o trabalho e preocupações que isso implica; sou filha de uma mãe praticamente inválida e que depende exclusivamente de mim; sou dona de casa, com todas as tarefas inerentes ao ofício - lavar, passar, secar, arrumar, cozinhar...também sei furar paredes com o berbequim e colocar as buchas e os parafusos, porque gosto de bricolage e decoração. Enfim, no final de tudo isto e no pouco tempo que me resta, faço poesia. Então como funciona em mim o processo da criação poética? De duas formas, através do sofrimento, das "pancadas da vida" e por "encomenda" e como já levo pancadas da vida há muito tempo, embora não se note, já escrevo há muito tempo. 
Uma das primeiras pessoas que me "encomendou" um poema foi a minha muito querida irmã Alexandrina, minha catequista, uma freirinha da Casa de Formação Cristã, o "Refúgio", situado ali ao pé do Clube dos Empresários, que me mandou fazer um poema sobre o Natal (leitura do poema). Eu tinha então por esta altura 10 anos. Hoje já vejo o Natal com outros olhos (leitura de um poema atual sobre o Natal). Depois vieram os textos de escola, encomendados pelos meus brilhantes professores de português, que tive a sorte de ter e pela mão dos quais escrevi variadíssimos textos. Seguidamente, ou talvez em simultâneo, veio a adolescência e os poemas de sofrimento de amor e ainda bem que tive o bom-senso de rasgar tais manuscritos, pois era amor por todo o lado e digamos que não eram palavras demasiado lamechas para que se dessem a ler. Entretanto cheguei a este livro, o "Cores do Silêncio". E por que razão publiquei só agora? Porque eu considero que para publicar, é necessário reunir três coisas: experiência de vida, maturidade e técnica. Os meus poemas da adolescência até podiam ter muito sentimento, mas faltava-lhes maturidade e técnica. Decidi publicar este livro, não por qualquer tipo de pretensão, mas porque achei que tinha mensagens que eu queria partilhar.(leitura de um poema do livro - "Ao Vulgo").
Sei que existem muitas formas de fazer poesia, mas os meus poemas nascem do sofrimento, não apenas do meu, mas daquele que sinto através dos outros, exatamente como o Fernando Pessoa descreveu na sua Autopsicografia - o poeta tem uma dor, uma emoção, um sentimento e depois passa a um segundo patamar da dor, quando racionaliza as emoções, quando trabalha as palavras e as lapida, distanciando-se da dor que sentiu inicialmente. A dor última do poema será a dor do leitor e corresponde à dor da interpretação que poderá não ser de todo coincidente com a do poeta. O poema é um objeto estético e tal como nas outras artes, produz diversas interpretações.
Irei publicar entretanto outro livro que se encontra dividido em três partes e gostaria de ler agora um poema de cada uma delas (leitura dos três poemas).
E como este evento se intitula "Coimbra (T)em Poesia" vou ler agora o poema "A Coimbra" do livro Cores do Silêncio. (leitura do poema).
Deixo-vos um dos meus poemas que foi lido pelo João Rasteiro e declamado pelo poeta Alexandre Sarrazola nesta sessão:"




quando nascemos
os bichos abriram desmesuradamente os olhos
para a perfeição dos querubins
e a boca de espanto
esconderam-se dentro das nossas asas
para voar connosco
assim que aprendêssemos
lá de dentro segredaram-nos histórias
de bruxas lobisomens e fantasmas
perigos culpas castigos
e não encontrámos mãos para os tirarmos
do ninho construído com as nossas penas
os bichos gritam-nos que perdemos
a cada instante
e que as vitórias são longe
é preciso expulsar os bichos dementes
que nos trazem visões de adamastores
fazer-lhes uma cirurgia
abrir-lhes as entranhas
retirar-lhes o fel
implantar-lhes um coração qualquer
desde que seja um coração
é preciso afastar os bichos para longe
travar a força dos presságios
pintar as asas de branco

e voar limpos











A esta sessão seguiu-se um pequeno debate com questões da assembleia aos 2 poetas participantes e, finalmente, foi-nos oferecido um conjunto de livros.
Uma sessão fantástica, para recordar!

sábado, 26 de novembro de 2016


Amanhã, Coimbra tem poesia...e eu serei uma das intervenientes...
Se puderem apareçam!


http://www.cm-coimbra.pt/index.php/areas-de-intervencao/cultura/agenda/item/4359-coimbra-t-em-poesia


terça-feira, 22 de novembro de 2016


Queridos amigos:

Andei ausente e fiz uma paragem na escrita, mas andei ocupada com outras tarefas...restauro de peças (pintura de cadeiras e cabides, entre outras coisas).
Também aproveitei para "banquetes" familiares.
Deixo uma mostra da minha ausência.
Visitar-vos-ei entretanto :)
























segunda-feira, 31 de outubro de 2016


Não te detenhas. Não olhes para trás. Há muitos companheiros de viagem ainda à tua espera. Precisam de ti sentados nas clareiras com fogo e danças de roda, sorrisos e palmas. Falta muito para o fim do caminho. Aprende com as pedras que te ferem os pés e com as silvas que te rasgam a carne, mas não te detenhas. Caminhar em frente é a cura das feridas. O mal também te constrói e purifica. Erras. Levanta-te. Só serás completo se aprenderes. Continua o teu trilho e observa os caminhantes que se cruzam momentaneamente contigo. Todos te trazem lições. Absorve-as e lá ao fundo serás pleno e inteiro e terás sabedoria, quando fores recebido na clareira com sorrisos, palmas e cantares à volta da fogueira.


terça-feira, 25 de outubro de 2016



Desfilam bailarinas e saltimbancos apetrechados de arsenais coloridos. Dramatizam loucamente em danças vertiginosas e perfeitas. Ostentam beleza e sorrisos esplendorosos. As máscaras estão gastas e os números repetidos, mas experimentam incessantemente novos arremedos para divertimento dos espectadores. Soam palmas. Os mais críticos queixam-se e gritam da plateia que é preciso deixar fermentar a verdade, banir a hipocrisia, a vaidade e a falsa ostentação.

No palco, todos estão surdos.


sábado, 1 de outubro de 2016


Viemos para quase tudo.
No topo de qualquer montanha há sempre ainda outra mais longínqua onde se adivinham horizontes de nós, sombras fugidias que já nos pertenciam mesmo antes de nascermos.
O sol continua à nossa espera lento e corcovado, arrastando-se a olhar os velhos sabedores nos bancos de jardim.
Bastardos de uma penumbra qualquer, estamos para cuidar das árvores e deixar os ninhos amadurecer nos beirais das casas.
Tateamos todas as infinitudes para saciar a fome, a sede e o desejo.
Ansiamos escarpas nas montanhas que nos agasalhem do frio, do medo, do tremor e da pressa.

Viemos para o regresso de nós mesmos.


domingo, 4 de setembro de 2016


embarco novamente nas trincheiras da guerra
de tantos sorrisos beligerantes         
de armas em punho
o sol habitado de medo
esbate-se por entre o fumo dos bombardeamentos
minando monstruosamente
a inútil cautela das tropas
as ofensivas militares
provocam frio no estômago
rebentam por toda a parte
granadas de violência e ódio
os brados precipitam-se nas nuvens
e desmoronam-se contra o chão
a vida presa por um fio
sem tréguas nem oásis
a luta diária é um arco-íris
uma miragem

a baloiçar entre o céu e a terra


domingo, 7 de agosto de 2016



esgota-se o tempo
pelos beirais das casas
a albergar ternuras insuspeitas
chega a manhã
e despes as asas
pesam-te os ombros
cansados dos incontáveis sonhos
náufragos nas mãos da noite
espraias-te por lugares
habitados de vazio
refugiado em cada amanhecer
tens lágrimas nas mãos
e brilho nos olhos
de inventar paraísos
pesam-te os dias
numa estrada longa
em que não encontras o sentido
cais
não és frágil
és só um deus
a tentar não ser

GA