domingo, 19 de março de 2017
A todos os pais, dignos desse título...
(Escrito aos 18 anos, 16 dias após perder o meu pai, cheia de saudades. Naif, simples, mas muito sentido - inédito)
Bendito o escritor
que na prosa deixa a vida,
bendito o poeta
que se imortaliza com os seus versos,
bendita a boa fama
que é única a vencer a lei da morte,
bendito alguém
que dá algo a outro alguém.
Bendito sejas tu, pai,
que eras poeta sem saber
porque tudo amavas muito.
Bendito sejas
porque me deste tudo,
porque eras alguém
e deixaste um lugar imortal
no meu coração!
Bendito sejas para mim!
GA
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
As minhas desculpas por ter andado ausente, ciente do que devo ter perdido por aqui, mas o falecimento de um familiar muito querido e de um outro dependente de mim, têm-me exigido outro tipo de esforço e concentração.
No entanto...
Anda. Caminha aos zigue-zagues. Tropeça também. Faz curvas e contracurvas atordoado pelo cansaço. Chora e continua. Podem apontar-te mil caminhos. Só seguirás aquele de que precisas para te construir. Qualquer que ele seja não desistas. Confia em ti. São os obstáculos que te farão chegar ao topo.
No entanto...
Anda. Caminha aos zigue-zagues. Tropeça também. Faz curvas e contracurvas atordoado pelo cansaço. Chora e continua. Podem apontar-te mil caminhos. Só seguirás aquele de que precisas para te construir. Qualquer que ele seja não desistas. Confia em ti. São os obstáculos que te farão chegar ao topo.
Parece-te que todos são felizes e só tu navegas em águas alterosas. Ilusão. Todos estão perdidos em busca do mesmo: a consagração do eu; a felicidade suprema inalcansável; um amor mais ou menos perfeito; a explicação da vida...
Um dia, talvez após uma curva em que quase te irás estatelar, surgirá uma estrada muito mais luminosa, em que encontrarás respostas para as tuas perguntas e incertezas. Então, descobrir-te-ás sozinho e nu perante ti mesmo, supremo e soberano juiz e nesse instante serás inteiro.
Tenho a certeza.
Tenho a certeza.
domingo, 29 de janeiro de 2017
Meu coração partiu não está em mim
Vai a fugir no meu sonho a cavalo
Diz-me adeus e que é melhor assim
Resgatar-me deste meu ser vassalo.
Antes vivia a vida em frenesim
Na agitação constante de encontrá-lo
Agora esta dormência a que advim
Esta paz triste e lenta em que resvalo.
Agora já não choro por amor
Nem ânsia ou qualquer fúria me detém
Mas uma angústia longa de refém.
E de manhã acordo nesta dor:
Meu coração fugiu - analisei
sábado, 21 de janeiro de 2017
Absurdos são os
contornos dos dias em que esmagamos o silêncio contra as paredes da casa e
renascemos das noites de amargura para viver outra vez. Somos páginas soltas à
deriva no espaço. Podíamos dar as mãos neste intervalo, que tem o tamanho
triste de uma vida, mas estacamos renitentes aos abraços.
Os ventos que nos rumam sopram em direcções
contrárias. O medo oprime-nos enquanto sorri e acena-nos de todas as
frestas com uma ilusória bandeira da paz.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Tenho andado ausente. Não prometo ser mais regular por estas paragens.
Quero dedicar o meu primeiro post de 2017 a todos vocês que passam por aqui. Quero agradecer-vos os minutos de atenção, as palavras amigas, os vossos posts agradáveis que servem para refletir, aprender, ou simplesmente repousar os ouvidos ou o olhar.
Feliz 2017 para todos! E, apesar das neblinas ou das sombras, cada vez mais é urgente...
Ser como as árvores persistente e estender os ramos para o céu ao ritmo do vento. Alongar o tronco e abraçar a infinitude. Esticar as raízes em busca de mais terra. Acreditar sempre na melodia das folhas que renascem e agradecer às que caem, pois cumpriram o fim para que nasceram. Olhar o céu. Aprender com os pássaros. Não desistir. Não vergar ao cansaço. Teimar. Perdurar. Ser resistente.
P.S.: As fotos são sempre as que vou tirando nas minhas deambulações pelo espaço...
Beijos
Obrigado!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
É tempo de comer todos os frutos, mesmo a maçã proibida de Adão. O pecado é um pó inócuo e purificador impresso na pele, um castelo de areia a desfazer-se em permanente luta contra as falésias do devir. Há febre a latejar no teu corpo dormente (estátua de pedra a gemer lamúrias secretas) em cada minuto adiado e já é tarde em cada instante que passa.
Nunca sabemos de que lado espreita a madrugada para anunciar de repente a partida. Chronos não dorme e jamais se compadecerá das nossas hesitações.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Ciclo Coimbra T(em) Poesia
Foi no passado Sábado, dia 26 de Novembro. Fui convidada pelo meu amigo João Rasteiro para participar no evento "Coimbra T(em) Poesia", na Casa da Escrita em Coimbra e aqui fica o que disse, para quem quiser ter a paciência de ler.
Foi no passado Sábado, dia 26 de Novembro. Fui convidada pelo meu amigo João Rasteiro para participar no evento "Coimbra T(em) Poesia", na Casa da Escrita em Coimbra e aqui fica o que disse, para quem quiser ter a paciência de ler.
"Agradeço a todos os presentes por terem vindo e agradeço também ao João por me ter convidado. Após o convite do João, duas questões se me colocaram. Por que razão fui convidada pelo João, na qualidade de poeta, se sou essencialmente professora e se ainda só publiquei um livro de poesia? Esta questão leva a outra questão. O que é um poeta? Um poeta será aquele que publica muitos livros de poesia? Será o que, apesar de publicar pouco, publica boa poesia? E poder-se-á falar de boa/má poesia ou de bons/maus versos? Poderá ser ainda um poeta aquele que escreve versos, mas apenas para a gaveta? Como tinha estas dúvidas todas, resolvi ir ao dicionário (uma das minhas bíblias) ver o que nos diz sobre a palavra poeta. E o que nos diz é o seguinte: "poeta - adj. que faz poemas ou versos. n.masc. 1. autor de poesia; vate; versejador. 2. autor cuja obra tem características poéticas. 3. aquele que tem inspiração ou imaginação inspirada. 4. idealista, sonhador; 5. indivíduo bem falante, eloquente.
poeta de água doce - poeta que faz maus versos."
Então seremos todos poetas?
E eu? Serei poeta?
Se me perguntarem o que sou responderei sem qualquer hesitação "sou professora", porque é o que faço a maior parte do tempo, enquanto não estou a dormir, mas também sou outras coisas. Sou mãe de duas filhas adolescentes, com todo o trabalho e preocupações que isso implica; sou filha de uma mãe praticamente inválida e que depende exclusivamente de mim; sou dona de casa, com todas as tarefas inerentes ao ofício - lavar, passar, secar, arrumar, cozinhar...também sei furar paredes com o berbequim e colocar as buchas e os parafusos, porque gosto de bricolage e decoração. Enfim, no final de tudo isto e no pouco tempo que me resta, faço poesia. Então como funciona em mim o processo da criação poética? De duas formas, através do sofrimento, das "pancadas da vida" e por "encomenda" e como já levo pancadas da vida há muito tempo, embora não se note, já escrevo há muito tempo. Uma das primeiras pessoas que me "encomendou" um poema foi a minha muito querida irmã Alexandrina, minha catequista, uma freirinha da Casa de Formação Cristã, o "Refúgio", situado ali ao pé do Clube dos Empresários, que me mandou fazer um poema sobre o Natal (leitura do poema). Eu tinha então por esta altura 10 anos. Hoje já vejo o Natal com outros olhos (leitura de um poema atual sobre o Natal). Depois vieram os textos de escola, encomendados pelos meus brilhantes professores de português, que tive a sorte de ter e pela mão dos quais escrevi variadíssimos textos. Seguidamente, ou talvez em simultâneo, veio a adolescência e os poemas de sofrimento de amor e ainda bem que tive o bom-senso de rasgar tais manuscritos, pois era amor por todo o lado e digamos que não eram palavras demasiado lamechas para que se dessem a ler. Entretanto cheguei a este livro, o "Cores do Silêncio". E por que razão publiquei só agora? Porque eu considero que para publicar, é necessário reunir três coisas: experiência de vida, maturidade e técnica. Os meus poemas da adolescência até podiam ter muito sentimento, mas faltava-lhes maturidade e técnica. Decidi publicar este livro, não por qualquer tipo de pretensão, mas porque achei que tinha mensagens que eu queria partilhar.(leitura de um poema do livro - "Ao Vulgo").
Sei que existem muitas formas de fazer poesia, mas os meus poemas nascem do sofrimento, não apenas do meu, mas daquele que sinto através dos outros, exatamente como o Fernando Pessoa descreveu na sua Autopsicografia - o poeta tem uma dor, uma emoção, um sentimento e depois passa a um segundo patamar da dor, quando racionaliza as emoções, quando trabalha as palavras e as lapida, distanciando-se da dor que sentiu inicialmente. A dor última do poema será a dor do leitor e corresponde à dor da interpretação que poderá não ser de todo coincidente com a do poeta. O poema é um objeto estético e tal como nas outras artes, produz diversas interpretações.Irei publicar entretanto outro livro que se encontra dividido em três partes e gostaria de ler agora um poema de cada uma delas (leitura dos três poemas).
E como este evento se intitula "Coimbra (T)em Poesia" vou ler agora o poema "A Coimbra" do livro Cores do Silêncio. (leitura do poema).
Deixo-vos um dos meus poemas que foi lido pelo João Rasteiro e declamado pelo poeta Alexandre Sarrazola nesta sessão:"
quando
nascemos
os
bichos abriram desmesuradamente os olhos
para
a perfeição dos querubins
e
a boca de espanto
esconderam-se
dentro das nossas asas
para
voar connosco
assim
que aprendêssemos
lá
de dentro segredaram-nos histórias
de
bruxas lobisomens e fantasmas
perigos
culpas castigos
e
não encontrámos mãos para os tirarmos
do
ninho construído com as nossas penas
os
bichos gritam-nos que perdemos
a
cada instante
e
que as vitórias são longe
é
preciso expulsar os bichos dementes
que
nos trazem visões de adamastores
fazer-lhes
uma cirurgia
abrir-lhes
as entranhas
retirar-lhes
o fel
implantar-lhes
um coração qualquer
desde
que seja um coração
é
preciso afastar os bichos para longe
travar
a força dos presságios
pintar
as asas de branco
e
voar limpos

A esta sessão seguiu-se um pequeno debate com questões da assembleia aos 2 poetas participantes e, finalmente, foi-nos oferecido um conjunto de livros.
Uma sessão fantástica, para recordar!
sábado, 26 de novembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Não te detenhas.
Não olhes para trás. Há muitos companheiros de viagem ainda à tua espera. Precisam
de ti sentados nas clareiras com fogo e danças de roda, sorrisos e palmas. Falta
muito para o fim do caminho. Aprende com as pedras que te ferem os pés e com as
silvas que te rasgam a carne, mas não te detenhas. Caminhar em frente é a cura
das feridas. O mal também te constrói e purifica. Erras. Levanta-te. Só serás
completo se aprenderes. Continua o teu trilho e observa os caminhantes que se
cruzam momentaneamente contigo. Todos te trazem lições. Absorve-as e lá ao
fundo serás pleno e inteiro e terás sabedoria, quando fores recebido na
clareira com sorrisos, palmas e cantares à volta da fogueira.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Desfilam bailarinas
e saltimbancos apetrechados de arsenais coloridos. Dramatizam loucamente em
danças vertiginosas e perfeitas. Ostentam beleza e sorrisos esplendorosos. As máscaras
estão gastas e os números repetidos, mas experimentam incessantemente novos
arremedos para divertimento dos espectadores. Soam palmas. Os mais críticos
queixam-se e gritam da plateia que é preciso deixar fermentar a verdade, banir
a hipocrisia, a vaidade e a falsa ostentação.
No palco, todos
estão surdos.
sábado, 1 de outubro de 2016
Viemos para
quase tudo.
No topo de
qualquer montanha há sempre ainda outra mais longínqua onde se adivinham
horizontes de nós, sombras fugidias que já nos pertenciam mesmo antes de
nascermos.
O sol continua à
nossa espera lento e corcovado, arrastando-se a olhar os velhos sabedores nos
bancos de jardim.
Bastardos de uma
penumbra qualquer, estamos para cuidar das árvores e deixar os ninhos
amadurecer nos beirais das casas.
Tateamos todas
as infinitudes para saciar a fome, a sede e o desejo.
Ansiamos escarpas
nas montanhas que nos agasalhem do frio, do medo, do tremor e da pressa.
Viemos para o
regresso de nós mesmos.
domingo, 4 de setembro de 2016
embarco
novamente nas trincheiras da guerra
de tantos sorrisos beligerantes
de armas em punho
o sol habitado de medo
esbate-se por entre o fumo dos
bombardeamentos
minando monstruosamente
a inútil cautela das tropas
as ofensivas militares
provocam frio no estômago
rebentam por toda a parte
granadas de violência e ódio
os brados precipitam-se nas nuvens
e desmoronam-se contra o chão
a vida presa por um fio
sem tréguas nem oásis
a luta diária é um arco-íris
uma miragem
a baloiçar entre o céu e a terra
domingo, 7 de agosto de 2016
esgota-se o tempo
pelos beirais das casas
a albergar ternuras insuspeitas
chega a manhã
e despes as asas
pesam-te os ombros
cansados dos incontáveis sonhos
náufragos nas mãos da noite
espraias-te por lugares
habitados de vazio
refugiado em cada amanhecer
tens lágrimas nas mãos
e brilho nos olhos
de inventar paraísos
pesam-te os dias
numa estrada longa
em que não encontras o sentido
cais
não és frágil
és só um deus
a tentar não ser
GA
quinta-feira, 7 de julho de 2016
há em mim um inimigo
por nascer
e em ti uma arma por içar
há flechas doces a sair dos meus olhos
alvoradas indistintas no teu sorriso
e paisagens feéricas no calor da tua voz
temos armas embainhadas por dentro do sangue
e flores irreais à superfície da pele
por entre estes beijos ousados
falta saber quem somos
GA
Edição 2016 das Pastinhas da Casa de Infância Dr. Elysio de Moura, onde se incluem alguns dos meus poemas inéditos.
A foto de Coimbra foi tirada hoje de manhã da varanda da Casa da Infância de onde se vê a outra margem de Coimbra, uma vista soberba!
Apontamento histórico:
(texto retirado do site da Universidade de Coimbra, Notícias UC)
"A Venda das Pastas é uma tradição com mais de 70 anos que acontece sempre durante a Queima das Fitas, com o objetivo de ajudar a Casa de Infância Doutor Elysio de Moura. Ao longo do ano, as crianças da Casa de Infância preparam réplicas em miniatura das pastas dos estudantes. Reproduzidas com as cores das faculdades da Universidade de Coimbra, as “pastinhas” guardam poesia.
O uso da pasta surge no seguimento de uma outra tradição. Quem o afirma é o presidente da Casa de Infância Doutor Elysio de Moura. Manuel Ferro conta que “a Queima das Fitas vai entroncar na tradição da queima da sebenta há cento e tal ano atrás”. A sebenta, que era queimada no final do curso, era muitas vezes guardada “em pastas atadas com fitas”, conta o responsável. “É daí que surgem as fitas das pastas de hoje”, revela. Ao longo do tempo, as fitas tornaram-se um “símbolo da vida académica” e, de acordo com Manuel Ferro, “a questão de se escolher a pastinha foi precisamente por causa do valor simbólico que a pasta tem para a vida académica”.
A iniciativa é, atualmente, uma forma de angariar verbas, que vão direcionadas para as salas de lazer da Casa de Infância Doutor Elysio de Moura".
Reportagem realizada por Ana Zayara, estudante de Jornalismo na FLUC, e Rosana Vaz, estagiária Projeto Imagem, Media e Comunicação da Universidade de Coimbra.
terça-feira, 28 de junho de 2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Ao eu – II
Acordo
de mim estranha em cada dia
Com
o meu ser à minha frente, eu atrás
Quando
o apanho ele foge em correria
E
esconde-se, volátil e sagaz.
À
vinda vem despido de alegria
Quer
mãe, mas o meu colo é incapaz.
Aquilo
que buscava não havia
E
o que queria encontrar não traz.
Que
procura o meu ser que em mim não tem?
Desolada
pergunto e ele nada diz.
Refeito
da ilusão, da vã demanda
Já
novamente se vai, não se detém
E
eu temo a sua queda de aprendiz
Impotente, só ele me comanda.
Graça Alves, in Cores do Silêncio
domingo, 29 de maio de 2016
Mãe
tens
os olhos mansos
das
lutas de uma vida
os
músculos sem força
e
o corpo entorpecido
mas
o teu sorriso é feliz na dor
e há
força na tua esperança inabalável
que
não sei de onde vem
obrigo-me
a engolir a comoção
perante
a tua imensa fragilidade
a
vida pesa
como
um trapo velho
a
humedecer-nos a memória
e o
tempo
que
escasseia para tanto amor
sabe
a solidão
ao
distante das vozes do pai e da avó
aos
risos da minha infância dormente
à
bolacha esmigalhada com pêssego e banana
ao
não sei quê do tanto que me deste
o
meu coração é grande
mas
não tem força para te pegar ao colo
porque
preciso
mãe
que
me embales outra vez
quarta-feira, 18 de maio de 2016
há dias em que envelhecemos mil anos
basta o sol não se pôr
e os monstros nascerem nas clareiras
vivemos muitas vidas
a lutar dentro de nós
e as dores dessas vidas
gritos suor lágrimas
oração cansaço
o fim do caminho
a esperança esvair-se
como o sangue das veias
e resistimos até novo amanhecer
e o dia clarear de mistérios e dúvidas
de pé continuamosdomingo, 8 de maio de 2016
"The weeping woman"
a janela fechada
uma nesga de sol entre a cortina
lá fora a rapidez o bulício
a multidão desastrada e distraída
cá dentro
o silêncio
os vasos tristes
os quadros de abismos infinitos
os recantos incólumes da casa
na mesa
o tabuleiro de xadrez
o jogo interrompido
a bengala no canto da lareira
a poltrona vazia
a grinalda de flores
da moldura que dói
com o teu sorriso
a morte ri
eu choro
GA
The weeping woman - Pablo Picasso
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