Caminhos

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Porque não pode haver outra forma senão a de existir tal como somos...

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ao eu – II

Acordo de mim estranha em cada dia
Com o meu ser à minha frente, eu atrás
Quando o apanho ele foge em correria
E esconde-se, volátil e sagaz.

À vinda vem despido de alegria
Quer mãe, mas o meu colo é incapaz.
Aquilo que buscava não havia
E o que queria encontrar não traz.

Que procura o meu ser que em mim não tem?
Desolada pergunto e ele nada diz.
Refeito da ilusão, da vã demanda

Já novamente se vai, não se detém
E eu temo a sua queda de aprendiz
Impotente, só ele me comanda.


Graça Alves, in Cores do Silêncio






24 comentários:

  1. Muito bonito:)

    A foto é sua?

    Bom fim-de-semana, Graça:)

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    1. A foto é de um amigo meu, Isabel :))
      Beijinho e bom fim de semana

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  2. É humano querer sempre mais e melhor.
    Excelente poema, como sempre. Gostei imenso.
    Graça, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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  3. O que ele quer exige demanda permanente, só assim se é gente. De corpo inteiro.
    Muito bom, Graça, adorei!

    Um beijinho :)

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  4. Parabéns Graça!
    O seu belo poema fez-me lembrar a poesia de Florbela Espanca.
    Gostei também muito da fotografia.

    Um beijinho

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  5. Fazer sonetos é uma arte à qual não me atrevo. Gostei deste, Graça.
    "Acordo de mim estranha em cada dia"... Muito belo. Também me acontece.
    Um beijo.

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    1. Pois...agora também já estou noutra fase, mas é um trabalho aliciante, embora demorado...
      beijinhos Graça

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  6. a difícil arte do soneto...
    gostei de ler

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  7. A poeta discorre entre a face e o verso do eu, do seu própio eu, numa poesia sensível e formalmente exigente.
    Parabéns.

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  8. Excelente construção, Graça Alves.
    Um soneto
    interessante que aborda um tema muito original.
    Parabéns pelo talento.
    Dias agradáveis.
    ~~~~~~

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  9. Graça,
    Só agora reparei que tinhas colocado este poema, como gosto dele!
    Beijinho. :))

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    1. Obrigada, Ana!
      Já lá vai um aninho após este momento grandioso!
      Beijinhos

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  10. Que beleza! Tão simples e complexo em simultâneo... fazer sonetos não é para qualquer um. Amo a tua poesia. Parabéns, Gracinha. Beijinhos com amizade

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    1. Olá, Belinha!
      Restabelecida dos problemas informáticos, obrigada pelo regresso!
      beijinhos

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