Caminhos

Caminhos
Porque não pode haver outra forma senão a de existir tal como somos...

domingo, 7 de agosto de 2016



esgota-se o tempo
pelos beirais das casas
a albergar ternuras insuspeitas
chega a manhã
e despes as asas
pesam-te os ombros
cansados dos incontáveis sonhos
náufragos nas mãos da noite
espraias-te por lugares
habitados de vazio
refugiado em cada amanhecer
tens lágrimas nas mãos
e brilho nos olhos
de inventar paraísos
pesam-te os dias
numa estrada longa
em que não encontras o sentido
cais
não és frágil
és só um deus
a tentar não ser

GA



30 comentários:

  1. Muito, muito belo!
    A vida é mesmo assim...
    Um poema muito perspicaz e sentido.
    ~~~ Beijinho, Graça ~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  2. Ter lágrimas nas mãos e brilho nos olhos. À altura das estrelas faz-se o poema antes que o tempo se esgote por dentro do silêncio.
    Um poema muito belo, Graça.
    Beijos.

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    1. Comentário poético por resposta!
      Obrigada, Graça!
      beijinhos

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  3. Olá, Graça.
    Um excelente poema para guardar. Debaixo do travesseiro.

    Esgota-se o tempo?
    - Esgota.

    No emaranhado dos ramos,
    o tempo pára, e os sentimentos e as asas
    rompem-se...
    - Desilusão.

    Só o brilho molhado,
    mãos nas mãos,
    é partida e chegada.

    Bj.

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  4. Tarefa pesada, realmente, a de se ser divino...

    Bom fim de semana alargado :)

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  5. Gostei imenso do poema e da foto que o completa muito bem. É sua, a foto?

    Beijinhos e um bom feriado:)

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    1. Olá, Isabel!
      Como vê, também me atraso nas respostas!
      Sim, a foto é minha, Coimbra, 7.30 AM, à espera das colegas da boleia. A árvore estava carregada de pardais, assustaram-se com o meu carro, só ficou um que mal se vê :))
      Obrigada por ter gostado!
      beijinhos

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    2. Conheço muito bem esse ritmo: espera por colegas para iniciarmos um longo dia de trabalho. Mas quando as viagens eram grandes (cerca de 80Km - 160/170 por dia) um bom e divertido grupo de viagens (como eu tive) ajudava muito! Sou velhinha, e agora já estacionei aqui na cidade - ao fim de muitos anos e de muitos quilómetros de estrada.

      Um beijinho e um bom ano de viagens e de trabalho.

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    3. PS:o pássaro vê-se perfeitamente! :)

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  6. Lindo poema, metáforas maravilhosas, amei, amei e amei.
    Querida Poeta parabéns por tanta beleza.
    beijinhos, Léah

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  7. belíssima urdidura de palavras. como se fora cambraia
    vibração delicada e tão frágil que encanta.

    beijo

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    1. Muito obrigado, Manuel!
      Serei talvez demasiado óbvia na escrita...
      beijinhos

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  8. Quando os sonhos e os dias pesam...
    Lindo, Graça.

    bj amg

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    1. E se pesam, Carmem :(
      beijinho amigo!
      Obrigada pelo carinho!

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  9. Um excelente poema.
    Com um final magistral.
    Parabéns, querida amiga.
    Graça, tem um bom resto de semana.
    Beijo.

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  10. Oi, Graça Alves !
    "... não és frágil
    és só um deus
    a tentar não ser "
    Bonito demais !
    Parabéns, SINCERAMENTE !
    Um carinhoso abraço, aqui
    do Brasil.
    Sinval.

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    1. Muito obrigado :))
      Ainda bem que gostou!
      beijinhos

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  11. A fragilidade, pejada de versatilidade, é aquilo que melhor nos caracteriza...
    Gostei, muito em particular, deste poema. Obrigado, Graça.

    Um beijinho :)

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  12. Bela poesia, parabéns pelo precioso dom.
    Bjos tenha uma ótima semana.

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  13. Mais um belo e sentido poema de quem "carrega" demasiados sentires.

    Um beijinho, Graça

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    1. Sim, muitos sentires...
      beijinhos e obrigada, Fê!

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