Caminhos

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Porque não pode haver outra forma senão a de existir tal como somos...

domingo, 8 de maio de 2016


"The weeping woman"

a janela fechada
uma nesga de sol entre a cortina
lá fora a rapidez o bulício
a multidão desastrada e distraída
cá dentro
o silêncio
os vasos tristes
os quadros de abismos infinitos
os recantos incólumes da casa
na mesa
o tabuleiro de xadrez
o jogo interrompido
a bengala no canto da lareira
a poltrona vazia
a grinalda de flores
da moldura que dói
com o teu sorriso
a morte ri
eu choro

GA





















The weeping woman - Pablo Picasso

22 comentários:

  1. Espaços comunicantes, mas isolados, ornados de objectos, facetas multifacetadas na procura da essência da vida.
    (As palavras, na sua poesia, são límpidas, honestas...)
    Muito bom, Graça!

    Um beijinho :)

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    1. Retribuo com um humilde obrigado!
      Beijinho, voz da terra...

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  2. Um poema excelente, Graça. Cada recanto, cada espaço, a ocuparem o lugar do sentimento...
    Um beijo.

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  3. Lindo. Não há palavras.
    Beijinho.:))

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    1. Eu é que fico sem palavras :)
      beijinho, Ana :))

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  4. Tão bonito!

    Um beijinho e continuação de boa semana:)

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  5. "a morte ri
    eu choro"
    Brilhante.
    Um excelente poema, parabéns.
    Continuação de boa semana, querida amiga Graça.
    Beijo.

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  6. A morte ... a única certeza do ser humano!

    Bom final de semana

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  7. Este poema tocou me mesmo! O vazio que a partida dos que amamos traduz se nos pequenos nadas da nossa vida. Lá fora a vida continua. Obrigada minha querida por este poema esplêndido .Beijinhos

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    1. Eu é que te agradeço, Belinha, por gostares.
      Beijinhos

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  8. Graça, a pintura forte, emotiva e expressiva de Picasso emoldura um poema que não lhe fica atrás.Parabéns!
    Um beijinho grato pelo seu carinho e amizade

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    1. Olá Fê! Agradecida pelo regresso e pelo carinho também!
      Beijinhos

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    2. Olá Fê! Agradecida pelo regresso e pelo carinho também!
      Beijinhos

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  9. Boa tarde GA. Outro poema explêndido, a bulir-nos a alma com a "outra face" da condição humana: a morte.
    De tempos a tempos, pomos-lhe uma pedra em cima cuidando que, do exorcismo, se fique quieta. Mas, no regresso do olhar ao interior da casa que há em nós, os objectos que nos povoam a memória vão dar ao poleiro escarninho onde permanece desde sempre.

    Bj

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  10. É exatamente com diz...sem tirar nem pôr!
    Obrigado!
    Beijinhos, Agostinho

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  11. É exatamente com diz...sem tirar nem pôr!
    Obrigado!
    Beijinhos, Agostinho

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  12. Bonito poema que trazes, Graça.
    O sentimento nos recantos e Picasso que vai aqui tão bem ;)

    bj amg

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